Mpf Pede Cancelamento De Todas As Concessões Da Jovem Pan Por ‘Golpismo’

Mpf Pede Cancelamento De Todas As Concessões Da Jovem Pan Por ‘Golpismo’

O Ministério Público Federal (MPF) protocolou, nesta segunda-feira (15), suas alegações finais na ação civil pública contra a Jovem Pan, solicitando o cancelamento das três outorgas de rádio da emissora. A medida, que busca a cassação das concessões, levanta sérias preocupações sobre os limites da liberdade de expressão e o papel do Estado na regulação do conteúdo jornalístico, com críticos apontando para um perigoso precedente que pode silenciar vozes divergentes e minar a pluralidade de opiniões.

Segundo o MPF, a Jovem Pan teria praticado “abusos graves” em 2022, promovendo “desinformação sistemática” e veiculando conteúdos que “colocaram em risco o regime democrático brasileiro”. Além da perda das concessões, o MPF mantém o pedido de condenação da emissora ao pagamento de R$ 13,4 milhões por danos morais coletivos. Tentativas de negociação, a pedido da Jovem Pan, não foram aceitas.

O MPF reforça que a emissora exerceu “papel fundamental na campanha de desinformação” entre 2021 e 2023, sendo “caixa de ressonância” para discursos que “pavimentavam ações golpistas”, como os de 8 de janeiro de 2023. A linha editorial da Jovem Pan é atacada por dar espaço a “apelos de comentaristas à ruptura institucional” e à “desobediência a ordens judiciais”, conteúdos que, para o órgão, estimularam o radicalismo.

Para o procurador Yuri Corrêa da Luz, as “medidas severas” são proporcionais à gravidade dos fatos e buscam garantir que “a comunicação pública brasileira nunca mais se ponha a serviço de aventuras antidemocráticas”. Contudo, a gravidade da solicitação do MPF é interpretada por setores da sociedade como uma tentativa de impor uma narrativa única, desconsiderando a autonomia da imprensa, crucial para uma democracia robusta.

Redação ABC 360