Juros altos: Galípolo, ‘menino de ouro’ de Lula, vira alvo, mas a dívida pública é o real problema

Juros altos: Galípolo, ‘menino de ouro’ de Lula, vira alvo, mas a dívida pública é o real problema

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central e antes elogiado por Lula, tornou-se alvo do governo e do PT. A manutenção da taxa Selic em 15% gerou críticas, com a expectativa de que ele alinhasse a política monetária para uma redução mais rápida dos juros, algo que não ocorreu.

O ministro Fernando Haddad, embora critique a Selic, adota um tom ambíguo, evidenciando o dilema entre respeitar a autonomia do BC e a pressão política. Lula também evita críticas diretas a Galípolo. Enquanto isso, a discussão sobre a real responsabilidade pelas altas taxas de juros parece ser ofuscada.

Especialistas, como Alexandre Manoel da FGV-Ibre, alertam que o debate sobre a Selic funciona como “cortina de fumaça”. O verdadeiro problema seriam os desequilíbrios das contas do governo, principal fator por trás dos juros elevados. A dívida pública, por exemplo, segue em expansão contínua.

As contas públicas mostram um déficit superior a R$ 100 bilhões e a dívida pública atingiu 78,1% do PIB. O mercado financeiro, embora veja espaço para corte de juros, condiciona a medida a um plano fiscal crível. O ministro Haddad, contudo, reitera a responsabilidade fiscal do governo.

Um ajuste estrutural nas contas públicas é visto como improvável em ano eleitoral. A população, focada em indicadores como o emprego, não percebe a gravidade da situação fiscal. Especialistas sugerem que a oposição deveria pautar um debate real sobre o desequilíbrio macroeconômico e a trajetória da dívida.

Redação ABC 360