Haddad culpa Bolsonaro, mas os dados das contas públicas contam outra história
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, acusou o governo anterior de “estupro das contas públicas” e “maquiagem contábil”. Ele afirmou que o ex-presidente Bolsonaro criou um superávit artificial em 2022. Contudo, dados mostram que 2022 registrou superávit primário de 1,25% do PIB, o melhor em oito anos.
Na atual gestão, as contas públicas não saíram do vermelho, com déficit primário de 0,43% do PIB em 2025. Em 36 meses, o azul apareceu em apenas sete, sempre com receitas extraordinárias. O endividamento público saltou sete pontos percentuais, atingindo 78,7% do PIB. Qual o impacto disso?
A expansão de despesas permanentes é apontada como causa central da deterioração fiscal. Entre 2019 e 2022, o crescimento real da despesa foi de 5,6%. Já no terceiro mandato de Lula, o ritmo acelerou para 15,4% entre 2023 e 2025, quase o triplo do período anterior.
A trajetória fiscal atual assemelha-se mais aos governos Dilma, que terminaram com forte deterioração. O esforço para estabilizar a dívida já se aproxima de 4% do PIB. Projeções indicam endividamento de 100% do PIB até 2035, ou até 162,2% em cenário adverso.