Grande ABC fecha trimestre com 1.079 foragidos e expõe fragilidade na segurança integrada
O Grande ABC encerrou o primeiro trimestre de 2026 com 1.079 mandados de prisão em aberto, segundo levantamento baseado no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões, do Conselho Nacional de Justiça. O número representa alta de 520% em relação ao mesmo período de 2025, quando havia 174 procurados na região.
São Bernardo aparece na liderança, com 496 mandados pendentes, seguida por Santo André, com 257, Diadema, com 186, Mauá, São Caetano, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra. A distribuição mostra que o problema não se limita a uma cidade específica, mas atravessa toda a região metropolitana, justamente em um território que há anos aposta no discurso da integração entre municípios.
Embora o cumprimento de mandados seja atribuição das forças de segurança estaduais, o volume de procurados também coloca sob pressão as administrações municipais. Prefeituras e prefeitos do Grande ABC têm investido em câmeras, centros de monitoramento, guardas civis e programas de segurança urbana, mas os dados indicam que a promessa de uma região mais vigiada ainda não se traduz, na mesma proporção, em maior capacidade de localização e captura de pessoas procuradas pela Justiça.
A Secretaria da Segurança Pública informou que o cumprimento dos mandados segue critérios técnicos e operacionais, como gravidade do crime, periculosidade do procurado e disponibilidade de informações sobre localização. A pasta também afirmou que 694 infratores foram presos ou apreendidos no primeiro trimestre na região em decorrência de mandados.
Ainda assim, o contraste entre tecnologia anunciada e resultado prático reacende uma cobrança antiga: a integração entre Estado, Consórcio Intermunicipal, GCMs e prefeituras precisa sair do campo institucional e produzir respostas mais visíveis no cotidiano. Em uma região de circulação intensa entre cidades, a segurança pública não comporta fronteiras administrativas convenientes.
O desafio, agora, é menos discursar sobre sistemas inteligentes e mais demonstrar eficiência. Para o morador, pouco importa se a falha está no banco de dados, na ausência de efetivo ou na falta de articulação entre governos. O dado que permanece é simples e preocupante: mais de mil pessoas procuradas pela Justiça seguem com mandados em aberto no Grande ABC.