Faixa Azul sob suspeita: acidentes com motos crescem em avenida de Santo André
A Faixa Azul para motocicletas, defendida pela Prefeitura como medida de segurança viária, enfrenta questionamentos após aumento de acidentes com motos na Avenida Prestes Maia, primeira via da cidade a receber o projeto. Os sinistros passaram de 27, entre maio de 2023 e abril de 2024, para 36 nos 12 meses seguintes, alta de 33,3%, com dois óbitos no período posterior à implantação.
A intervenção foi autorizada pela Senatran em caráter experimental por um ano, com exigência de relatórios trimestrais sobre acidentes, feridos, mortes, fluxo de veículos, velocidade operacional e opinião dos usuários. Ainda assim, a Prefeitura de Santo André avançou na expansão da medida para outras vias, como as avenidas Dom Jorge Marcos de Oliveira e José Antonio de Almeida Amazonas.
A gestão Gilvan Ferreira fica diante de uma contradição: vende a Faixa Azul como solução de segurança, mas os dados disponíveis indicam piora no primeiro ano da experiência. A Prefeitura afirma que as mortes na Prestes Maia não ocorreram dentro da área delimitada, mas isso não dispensa a divulgação clara dos relatórios técnicos exigidos pela Senatran.
A cobrança também vale para São Bernardo. A administração Marcelo Lima trata a Faixa Azul como vitrine de mobilidade e anunciou expansões para vias como a Avenida 31 de Março e trechos das avenidas Robert Kennedy e Engenheiro Otávio Manente. Porém, antes de ampliar o projeto, precisa apresentar dados públicos e comparáveis sobre acidentes, feridos, mortes e velocidade antes e depois da implantação.