Santo André na Europa: Quando o turismo se disfarça de congresso

Santo André na Europa: Quando o turismo se disfarça de congresso

Enquanto servidores e contribuintes apertam o cinto para manter a máquina pública funcionando, dois secretários de Santo André preparam as malas para Barcelona. O motivo oficial? Representar o município no “Smart City Expo World Congress 2025”. O detalhe incômodo é que ambos viajam com vencimentos integrais, diárias e “demais vantagens” garantidas — e, de quebra, um deles já emenda dias de “motivos particulares” logo após o evento.

Na prática, o que se vende como “intercâmbio de inovação” soa mais como turismo institucional patrocinado pelo contribuinte. Afinal, o que Santo André, atolada em buracos, transporte precário e obras atrasadas, tem a mostrar no maior congresso de cidades inteligentes do mundo? Talvez a esperteza administrativa de transformar uma viagem de sete dias em quase vinte, sem perder um centavo do salário.

A ironia maior é que, enquanto secretários posam para fotos em Barcelona, a prefeitura segue tropeçando em serviços básicos. Fala-se em “smart city”, mas o cidadão ainda enfrenta semáforos quebrados, lixo acumulado e sistemas públicos digitais que mais travam do que funcionam. Inteligente mesmo é o uso do cargo para garantir uma esticada europeia com tudo pago.

Se há algo moderno nessa história, é a velha habilidade da política andreense de vender luxo como progresso. A cidade pode até não ser uma “smart city”, mas seus gestores continuam mestres na arte da viagem esperta.

Redação ABC 360