Operação Sem Desconto: prisão de ex-INSS Stefanutto mira núcleo político e abala governo

Operação Sem Desconto: prisão de ex-INSS Stefanutto mira núcleo político e abala governo

A Operação Sem Desconto intensificou a pressão sobre o governo Lula com a prisão do ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e outros envolvidos em fraudes. A Polícia Federal cumpriu dez mandados de prisão e realizou ações em quinze estados. A CPMI do INSS, que antes enfrentava dificuldades, reacendeu as suspeitas de blindagem política no esquema.

Stefanutto, que atuou na transição Bolsonaro-Lula, é peça-chave para parlamentares que apontam vínculos políticos nas fraudes. Sua prisão, por supostamente receber R$ 250 mil mensais em propina, devolveu força à oposição na CPMI. A comissão agora promete votar todos os requerimentos para alcançar o “núcleo político” do esquema.

O senador Eduardo Girão classificou as prisões como um “xeque-mate” na narrativa governista, que teria limitado as investigações. O líder do PL, Sóstenes Cavalcante, afirmou que a “casa caiu” para integrantes do PT, criticando gestões petistas por supostamente terem “profissionalizado a corrupção”. Marcel van Hattem cobrou explicações sobre o Coaf e o contador de Lula.

Em contrapartida, parlamentares governistas negaram pressão, atacando a gestão anterior do INSS. O senador Randolfe Rodrigues afirmou que nove dos dez mandados de prisão teriam relação com o grupo Bolsonaro. Contudo, investigações da PF indicam o envolvimento de políticos, como o senador Weverton Rocha, citado por proximidade com operadores do esquema.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar, revelou indícios de “fluxo intenso entre associações e empresas de fachada”. Ele descreveu um “duto de lavagem” movimentando bilhões, com “simbiose entre gestores, empresários e operadores”. A comissão busca identificar quem protegeu essas entidades, visando o rastro dos desvios bilionários.

Redação ABC 360