Mais da metade das escolas estaduais do Grande ABC tem conectividade inadequada e índice fica muito abaixo da média nacional
Mais da metade das escolas estaduais avaliadas no Grande ABC não atende aos parâmetros considerados adequados para conectividade escolar pelo Ministério da Educação. Das 327 unidades analisadas, 174, ou 53,2%, ficaram abaixo dos critérios do Indicador Escolas Conectadas (Inec), enquanto apenas 153, equivalentes a 46,8%, foram classificadas como adequadas.
O resultado coloca a rede estadual da região bem abaixo do desempenho nacional. Entre as escolas estaduais brasileiras, 72,9% atingem os parâmetros adequados, diferença de 26,1 pontos percentuais em relação ao Grande ABC. O indicador oficial avalia em conjunto a disponibilidade de energia elétrica, a velocidade da conexão para uso pedagógico e a cobertura de Wi-Fi dentro das escolas.
A classificação inadequada não significa necessariamente que as unidades estejam sem internet. O Inec considera se a estrutura disponível é suficiente para o uso educacional, e apenas escolas classificadas nos níveis 4 e 5 entram no grupo considerado adequado. Dados nacionais atualizados até julho mostram que 78,7% das 138.086 escolas públicas monitoradas pelo MEC, somando diferentes redes, atingiram esses níveis.
A Secretaria da Educação do Estado contesta o resultado para o Grande ABC. A pasta afirma que todas as escolas estaduais regulares da região possuem ao menos um link de 100 megabits por segundo e Wi-Fi nos ambientes pedagógicos, além de monitoramento diário do consumo de internet. O próprio governo paulista informou em março que investiu cerca de R$ 340 milhões entre 2023 e 2025 na instalação e manutenção de conexões e infraestrutura tecnológica nas escolas estaduais.
Os números revelam, portanto, uma diferença entre a estrutura que o Estado afirma oferecer e os critérios usados pelo governo federal para medir se a conexão é adequada ao uso pedagógico. A situação ganha peso porque a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas foi criada para universalizar a conectividade de qualidade nas escolas públicas, enquanto mais da metade das unidades estaduais avaliadas no Grande ABC ainda aparece fora dos parâmetros oficiais.