Investigação de corrupção envolvendo prefeito de São Bernardo vai ao Supremo

Investigação de corrupção envolvendo prefeito de São Bernardo vai ao Supremo

A investigação sobre suspeitas de corrupção e desvio de dinheiro público em São Bernardo, que envolve o prefeito Marcelo Lima, teve o envio ao Supremo Tribunal Federal mantido pela Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça. O Supremo deverá decidir qual tribunal pode julgar o caso. Essa decisão não condena nem absolve os investigados.

A Operação Estafeta apura suspeitas de desvio de recursos e lavagem de dinheiro em contratos da Prefeitura. Uma decisão do STJ de outubro de 2025 registra a apreensão de mais de R$ 12,8 milhões e US$ 156 mil no apartamento de Paulo Iran Paulino Costa, apontado como possível operador financeiro do esquema, além de R$ 583 mil em seu veículo. Os valores foram encontrados com outro investigado, não com o prefeito.

A discussão sobre quem deve julgar a investigação existe porque parte dos fatos pode ter ocorrido quando Marcelo Lima era deputado federal, entre janeiro e novembro de 2023. Segundo o ministro Reynaldo Soares da Fonseca, documentos do processo apontam suspeitas que abrangem um período maior do que o mandato de prefeito. Por isso, cabe ao Supremo avaliar se o caso deve ficar sob sua responsabilidade.

O recurso foi apresentado pela defesa do empresário Fellipe Rafael Pereira Fabbri, também investigado. Seus advogados questionam a atuação da Justiça paulista e pedem a anulação das provas obtidas por ordem de um tribunal que consideram sem autoridade para conduzir o caso. O STJ manteve o envio ao Supremo sem decidir se essas provas são válidas.

Marcelo Lima chegou a ser afastado da Prefeitura em agosto de 2025, mas teve o retorno autorizado pelo STJ em outubro daquele ano. Na ocasião, o ministro entendeu que não havia motivos atuais suficientes para manter o afastamento. A disputa sobre qual tribunal deve cuidar da investigação não resolve as acusações: a responsabilidade dos envolvidos ainda depende da análise do caso pela Justiça.

Redação ABC 360

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