Câmara de São Caetano pauta cassação de líder do governo por quebra de decoro e ataques contra moradora
A Câmara Municipal de São Caetano do Sul pautou a votação da admissibilidade de um pedido de cassação por quebra de decoro parlamentar contra o vereador e líder de governo, César Oliva. O requerimento de abertura de comissão processante contra o parlamentar marca o terceiro processo disciplinar contra vereadores protocolado no Legislativo da cidade apenas neste ano, aprofundando o desgaste ético e a instabilidade política na base de apoio da administração municipal.
A representação oficial foi protocolada por uma moradora e comerciante do município, instruída com atas notariais, prontuários de atendimento veterinário e boletim de ocorrência por difamação e ameaça registrado na Polícia Civil. O documento denuncia que o vereador utilizou as redes sociais de seu mandato para divulgar imagens de uma gata recém-operada que pertence à munícipe, insinuando publicamente a prática de maus-tratos e negligência médica sem qualquer base técnica.
Laudos emitidos por médicos-veterinários responsáveis pelo procedimento comprovaram que o animal havia passado por uma cirurgia padrão de fixação de mandíbula, conhecida na área médica como técnica dos três botões, com recuperação satisfatória. Contudo, as publicações promovidas pelo líder do governo incitaram uma onda de linchamento virtual contra a tutora, resultando em intimidações diretas na rua de sua residência e mensagens discriminatórias voltadas contra a sua religião de matriz africana.
Em manifestações sobre o caso, o líder governista declarou que a denúncia é desproporcional e sem materialidade, sustentando que apenas compartilhou a foto para consultar especialistas sobre o método e que não citou o nome da responsável pelo animal. Caso a maioria dos vereadores aprove a admissibilidade em plenário, será instaurada uma Comissão Processante com prazo de noventa dias para investigar as condutas, ouvir testemunhas e votar o parecer que pode resultar na perda definitiva do mandato.
A abertura do caso contra o articulador do governo agrava o histórico de crises no parlamento são-caetanense, que já viu um vereador renunciar para escapar de cassação e mantém outra comissão processante em andamento neste mandato. A sucessão de episódios expõe a conduta de representantes do poder público que utilizam a visibilidade institucional para expor munícipes em discussões virtuais, enquanto temas prioritários para os serviços públicos da cidade acabam travados no plenário.